Anglo vai ampliar os aportes
A Anglo American, controladora da Anglo Ferrous Brazil, responsável pela implantação do projeto Minas-Rio, confirmou nessa sexta-feira, com exclusividade ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, que aumentou o investimento para a execução do empreendimento de R$ 11,2 bilhões para R$ 14 bilhões em valores de acordo com a cotação da libra esterlina do mesmo dia, o que significa um avanço de 25% em relação ao aporte previsto inicialmente.
O assessor corporativo do grupo, James Wyatt-Tilby, afirmou ainda que a companhia foi procurada por empresas e investidores da China, Japão e Oriente Médio interessados em firmar parceria para o financiamento do projeto.
Porém, a Anglo, segundo o executivo, mantém a posição de que vai bancar sozinha o empreendimento pelo menos na fase inicial. "No entanto, a incorporação de um parceiro é uma opção para um segundo momento", disse em entrevista concedida de Londres via telefone.
O assessor comemorou a concessão da licença de instalação (LI) para a primeira fase do complexo industrial em Conceição do Mato dentro, na região Central do Estado, deferida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), em 17 de dezembro do ano passado. "O licenciamento impulsionou a construção do empreendimento. Estamos satisfeitos com a progressão do projeto", frisou.
Tilby lembrou, sem precisar datas, que a segunda etapa do empreendimento ocorrerá provavelmente só após a produção do Minas-Rio atingir 26,5 milhões de toneladas anuais, simbolizada pelo primeiro embarque de minério de ferro.
Entraves - Conforme informações anteriores do próprio assessor, isso deve acontecer depois de um ano e meio do início das operações. Somado ao tempo previsto para a conclusão das obras que viabilizarão as atividades do sistema, isso coloca a perspectiva de prospecção de um partner exatamente para meados de 2012.
A manutenção da posição da Anglo Ferrous em bancar sozinha o emprendimento na fase inicial deve-se ao fato de a execução do projeto ter passado por vários entraves jurídicos.
Uma liminar foi concedida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) após ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE), o que chegou a interromper as obras.
O MPE questionava justamente o processo de licenciamento da mina, da planta de beneficiamento e da barragem de rejeitos. Posteriormente, a empresa conseguiu na Justiça a suspensão da liminar e as providências para a obtenção da LI proseguiram. Entretanto, o empreendimento continua na mira do MPE, que pode mover nova ação para impedir as intervenções.
O projeto Minas-Rio contempla a mina e a unidade de beneficiamento de minério de ferro entre os municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, no Alto Jequitinhonha, um mineroduto de 525 quilômetros que passa por 32 cidades mineiras e fluminenses e uma participação de 49% do terminal Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), em parceria com a LLX, do grupo EBX, que pertence ao empresário Eike Batista. "A construção do porto está em fase adiantada", observou o assessor.
Sistema - O sistema Minas-Rio foi adquirido pela Anglo Ferrous Brasil da MMX Mineração e Metálicos, também de Eike Batista, em agosto de 2008, por R$ 5,4 bilhões. Atualmente, o projeto é o maior investimento da Anglo American no mundo. As reservas da mina de Conceição do Mato Dentro estão estimadas em 4,9 bilhões de toneladas de minério de ferro.
A execução do empreendimento deve gerar cerca de 10 mil empregos e durante a operação aproximadamente 1,3 mil postos de trabalho entre trabalhadores de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Está previsto para este ano o início das intervenções civis na planta de processamento.